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segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Parte IV: Viajar, maternar, vencer

(Feliz sete meses, filha)

O sossego da alma. Novamente estou dentro de um ônibus, na estrada, viajando para algum lugar. Perto ou longe, não importa muito. O importante é viajar. Quando me vejo no reflexo da janela, uma surpresa: tenho um bebê adormecido no meu colo. 

 Há dois anos, num exato outubro, fiz minha primeira viagem com o Guilherme. Fomos para Búzios. Comemos bem, bebemos bem, curtimos Geribá, a Rua das Pedras, o hotel. Somos seres ritualizados. Combinamos que em outubro de 2016 estaremos no mesmo hotel pela terceira vez. 
Amo viajar. Preciso. Vivo num ideal de viajar o bastante para que se torne um hábito e pouco o suficiente para que nunca se perca a emoção. Entretanto, quando engravidei, de novo me disseram que eu não viajaria de novo. Ou tão cedo. Eis. 
Mal posso acreditar que cumpri mais esse âmbito. Aos pessimistas: descobri que não era nada daquilo que vocês diziam. A coisa boa de ter filho (diferente de ter pai, mãe ou marido) é que o filho é COMPLETAMENTE adaptável a mim, ao meu estilo de vida, aos desejos e experiências. Se eu quiser viajar com a minha filha, assim será. 
 Descobri que a minha primeira viagem foi aos 3 anos. Minha mãe ainda disse que eu era corajosa de viajar de ônibus com um bebê de seis meses. Ué! Você só se torna corajoso quando alguém diz que não faria o que você faz.



E como foi? Bom, foi...diferente! Claro que dá mais trabalho do que somente viajar. Pensa-se em alimentação, sono do bebê, se o bebê tá feliz ou incomodado, se está ventando, se está muito sol....... mas foi bem divertido. Ligados o tempo todo (é, não relaxamos tanto), mas felizes. Stella foi de ônibus na ida e na volta e dormiu o tempo todo (nossa grande preocupação era o ônibus), foi à praia, passeou de dia e de noite, esteve conosco nos almoços e passeios. Fomos em trio (eu, minha mãe e Guilherme) justamente para formar pares enquanto o outro estava com a Stella; assim, o casal até conseguiu jantar sozinho (!).  Tudo certo.
 Para ela... tanto faz, desde que esteja de barriga cheia e com o soninho em dia.

 Fiquei muito feliz de ter pensado na viagem, de tê-la promovido e de finalmente ter ido. Foi melhor do que a gente pensava. Stella já tem outras viagens marcadas e vai ser outra viajante - 
como a mãe.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Parte III - Exercitar, maternar, vencer

A vida vai aos poucos voltando ao "normal" - sendo que agora, a noção de normal está diferente, e conta com Stella em casa, mamãe e papai trabalhando, comida que eu fiz, roupa que eu passei, louça que o Guilherme lavou. 
Reconquistei meu trabalho e meu estudo na faculdade e, hoje em dia, tudo em ordem. Entretanto, a vida possui outros âmbitos, âmbitos que eu sentia falta... 
Houve uma época na minha vida em que eu andava de bicicleta todo dia. Senão todo dia, dia sim e dia não. Quando chovia, andava na garagem do prédio. Quando viajava, o corpo sentia. Bicicletar era o meu exercício e minha terapia ocupacional; meu espaço pessoal para pensar e ouvir música, passear, me divertir. Morei em Botafogo a vida toda e, portando minha própria bicicleta, era fácil chegar à Lagoa ou ao Aterro. 
Durante a gravidez, andar de bicicleta é um exercício mais ou menos proibido - na modalidade em que eu praticava, proibido. Andava 6, 8 ou 10 quilômetros em menos de uma hora ou uma hora e meia. Soube que exercício pesado poderia "tirar" oxigênio do bebê, além de me deixar enjoada e ser obviamente estranho andar por aí com barriga. Parei. Pena. A última vez que saí de bike foi em setembro do ano passado. 
Desde que a Stella nasceu, fui voltando aos poucos a andar de bicicleta - infelizmente, em muita correria e sem todo aquele prazer anterior.



 Só que... que coisa. Como a gente se vitimiza à toa, sem precisar.
 Eu achei que, por ser mãe e ter me mudado para Santa Teresa, eu não teria tempo ou espaço para andar de bicicleta tão cedo. Meu corpo de ciclista ficava cada vez mais para trás... minha saúde e exercício...
Bastou pagar dez reais e fazer uma ligação que tudo mudou. O Rio de Janeiro conta com uma coisa esplêndida chamada Bike Rio: as laranjinhas. É se inscrever, pegar uma bicicleta e devolvê-la dentro de uma hora nas centenas de pontos. Ué. Eu saio para trabalhar todo dia. Por que não unir o útil ao agradável, finalmente? Andar de bicicleta todo dia de novo? Sim, é possível! E faz bem :)
 Lição do mês: quando você é mãe, toda brecha é uma oportunidade e cada chance pode virar empreendimento. Ser mãe é uma aula constante de Administração, cadeira de Gestão. Agora é só esperar o corpo voltar ao - normal?

domingo, 7 de setembro de 2014

O agridoce da Introdução Alimentar

Oi! Desculpem pelo tempo sem postar. Engatei num projeto de livro e trabalhar-estudar-escrever-maternar às vezes me esgota o tempo! 

A Stella está com cinco meses e meio. Isso quer dizer que sim, daqui a pouco mais um grande momento vai chegar: a introdução alimentar.
Ao mesmo tempo que é algo aguardado (ver do que a Stella vai gostar mais, entender as mudanças, dar a ela mais autonomia para se alimentar, me "emancipar" parcialmente da tarefa de amamentação exclusiva), percebi com os dias que é algo até um pouco amargo. Tenho feito certa resistência ao assunto. Geralmente sou uma mãe super interessada e curiosa, constantemente antenada em sites, blogs e leituras acerca de todas as novidades. Era até mais no começo (acho que o tempo passa e nos tornamos menos ansiosas e mais intuitivas). Acontece que Stella está a duas semanas de comer  e eu não estou correndo atrás de informação. Por quê?



Eu gosto tanto de amamentar que eu mesma preciso entender que mais esse "laço"vai se perder. Gestei, pari e agora ela deve comer outras comidas, além de leite do peito. E que sentimento agridoce. Ela tem novas necessidades nutricionais e precisa de novos alimentos. E eu? Eu já estou pronta para ter uma bebê "grande" (exagero), que não precisa mais de mim o tempo todo? Mas poxa vida.
Eu sei. Eu sei que ainda vou amamentar até quando a Stella quiser. Sei que agora tudo vai ficar mais "leve" para mim, psicologicamente falando - posso ficar mais tempo na rua, inclusive, coisa que muito me faz falta. Mas, mas, mas... não sei, às vezes eu a abraço e sinto falta daquele bebê pequenininho, que só queria colo e peito o tempo todo. Agora ela já está quase engatinhando. Como o tempo passa!
Garanto que amamentar exige muito mais do que parir, por exemplo, mas é uma vitória deliciosa. Chegarei aos 6 meses da Stella com minhas atividades normais e muito amor de peito. Fico muito feliz de querer e conseguir amamentar, por mais que tenha que me ausentar para trabalhar ou estudar diariamente.
Vamos às bananas, pêras, maçãs e afins (e nada de sucos, por enquanto). Com naturalidade, carinho e animação, mas com um pouquinho de dor no coração - acredito que a maior dor de uma mãe é perceber que sim, eles crescem afinal...

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Meu relato de parto

    Laura: o caminho curto ou o longo? O fácil ou o trabalhoso? Com emoção ou sem emoção? 

   Muitas mulheres têm muito medo da dor do parto. Dizem por aí que é a maior dor que alguém pode sentir na vida (?). Eu, felizmente, não ligo muito para a dor. Acho que a dor, física ou emocional, é necessária para reflexão, crescimento, passagem. Grandes movimentos da vida doem. Mexem com a gente. Nos tiram da nossa zona de conforto.

    "Você vai saber quando estiver parindo." Uma das grandes dúvidas das grávidas de primeira viagem é em relação ao começo do trabalho de parto. Contrações, dorezinhas. Viradas da Lua. Entretanto, a verdade é dita: quando ele começa, dá para saber. E outra verdade: quando ele acaba, você mal se lembra do que aconteceu.



    Chateada com a cesariana marcada (leia aqui), que aconteceria em menos de 24h, fui dormir no meu último dia de gravidez. Guilherme dormiu logo; eu permaneci acordada. Depois de semanas de caminhadas, tentativas, comidas estranhas e simpatias, nada parecia acordar a Stella para o seu próprio nascimento. Para que eu parisse, ela precisaria querer nascer. Entretanto, algo (intuição? Instinto?) me fez tomar uma atitude estranha naquela noite. Peguei um copo e tirei algo como 40 ml do meu próprio colostro (uma quantidade enorme). Gastei mais de uma hora fazendo isso. Tudo bem, eu não tinha sono. Terminei e consegui fechar os olhos para dormir. 
    Às 4 da manhã, senti a primeira contração com dor. 
   Eu sabia o que era. Nós sabemos. Fiquei surpresa. Estava escuro e eu estava ainda dormindo, então, não pensei muito naquele momento. Guilherme acordou às 7h para trabalhar, como sempre, e eu fiquei ali, deitada, sentindo puxões no útero. 
  Tive o começo do conflito - almoço direito ou assumo que estou sentindo dor? Vivo o meu dia normalmente? É isso mesmo? E se o meu lindo parto normal estiver chegando ? A palavra pródromo me soava como um sonho... 
    Falei com a minha médica, que me disse que provavelmente seria o parto (sim, eu sabia). Me disse para ir ao Hospital do Amparo, onde eu seria examinada horas depois por ela, quando chegasse de seu plantão. Ainda pensando, eu me vi numa armadilha. Toda a equipe da cesariana estaria pronta para a minha chegada às 17h naquele hospital; ela chegaria às 20h para me operar (morrer com hora marcada é justo? E nascer?). O hospital era sabidamente preparado para cesarianas e tampouco tinha uma sala própria para parto normal. Meu Deus. Se eu fosse, provavelmente seria encaminhada para a cirurgia. Imagine se uma equipe de cesariana vai "gastar o seu tempo" para ver se o parto vai ser normal ou provocado. Eu chegaria, seria anestesiada e pronto. E dane-se o seu lindo parto normal. 
    O conflito estava armado. 
   A irmã do Guilherme é Diana Schneider, doula reconhecida entre as cariocas. Eu nunca quis me apoiar sobre a sua condição (inclusive porque um parto humanizado com equipe é bem caro), mas precisava pensar com calma sobre o que eu faria. Se eu quisesse parto normal, senti que não seria com aquela médica do plano, muito menos naquele Hospital do Amparo. Gui chamou a irmã, que veio pronta e animadamente (fazer o parto da sobrinha era o que ela queria todo o tempo, hehe). Sim, era parto. Eu já estava com 2cm de dilatação. Àquele ponto, há 22 anos atrás, minha mãe já estava no hospital para que eu nascesse. Nenhum dos presentes tinha ido além daquele ponto. 
    Então... esperar. Diana me falou para dormir enquanto dava. A dor era plenamente suportável - quando vinha uma contração, eu simplesmente me calava e respirava com calma. Só que, ops, eram tipo 14h da tarde e precisávamos saber se vamos para o Amparo. Ou para onde. Honestamente, eu estava morta de vergonha de ligar para a médica e dizer que estava tudo desmarcado (estava tudo desmarcado?! É mesmo? E aí? Vou parir em casa? Aonde?). Desmarcar era o mais positivo para mim e Stella (e eu não faria cesariana, yes!), mas era um franco tiro no escuro. Como eu confiava na minha saúde, no meu corpo, na minha capacidade de não estragar tudo. Diana é doula, mas precisaria de uma equipe (com um obstetra, um pediatra de parto, etc). Afinal, Diana e seu endosso ligaram para a médica. E eu afinal me lancei na escuridão do parto normal. Em poucas horas estaria num lugar totalmente desconhecido. (Se eu fosse mais velha, mais medrosa ou menos abusada, acho que não teria decidido por isso...)
   Pude descansar, finalmente, embora as contrações já não me deixassem dormir. Mandei Guilherme e Diana irem dar uma volta e fiquei em casa com a minha mãe. Segundo a doula, ali começou o parto em si, com contrações mais ritmadas. A noite foi caindo. Há mais de 12 horas sentia coisas cada vez mais intensas.
Sem me dar conta, entrei num silencioso vale escuro. Isso era diferente do que eu havia pensado. Imaginei que pariria ouvindo música, mas tudo o que eu queria era o nada. Dormia entre as contrações. Quando acordava, contava até 100. Apesar da dor já forte, eu não pensava em nada específico - essa seria a partolândia? 
   Para os entendidos de parto natural, a descarga de ocitocina - o mesmo hormônio do sexo ou da amamentação, ligado ao prazer e à felicidade - vem a cada contração. Ela torna tudo mais possível e até interessante. Parir dá uma espécie de barato hormonal. Naquele ponto, no conforto da minha cama, no silêncio do meu quarto, parir era possível. 
    Finalmente fui para o meu primeiro banho, já com 3cm de dilatação. Que delícia. A água quente caía sobre a minha barriga, e esse era o único som. Diana me falou para ficar de pé, mas não resistir a me sentar no chuveiro. No total, foram três banhos longos de cabeça em casa. A água abatia a dor, e eu tinha forças para continuar. Por mim, ficaria até o final debaixo do chuveiro, mas Diana falou que isso poderia desacelerar a dilatação do meu corpo. 
   Naquele ponto, as pessoas na minha casa - Guilherme, Diana, minha mãe - já não apareciam mais. Silêncio e lua cheia. Ao sair de cada banho, ia para a cama, de cabelos molhados. Brevemente entrei num ciclo estranho de tremedeiras e muito frio, momento no qual eu já não respondia mais por mim. 
Quando a dor começou a realmente me cansar, traçou-se o destino das coisas: iríamos para o Hospital Santa Lúcia, com uma sala de parto normal. A médica seria a Gabriela Andrews, da equipe da Diana - ela estava desocupada no momento (qué dizê: fiquei meses procurando um médico "de confiança" para no final confiar plenamente em alguém que nem conhecia). 
  Embora eu já quisesse alguma anestesia, Diana me deixou em casa por (quantas mais?) horas sobressalentes. Quando saímos de casa para o hospital, eu estava com 6cm de dilatação, às 2h da manhã, 22 horas depois. 
    Ao chegar no hospital, algo muito lindo me atingiu - no meio de tantas contrações, senti uma enorme sensação de vitória. Eu estava parindo num hospital legal, com uma equipe humanizada. Stella estava perto. Senti algo que só tinha sentido uma vez na vida, quando viajei sozinha para o meu intercâmbio em Buenos Aires (de onde escrevi meu primeiro livro publicado). Durante alguns minutos, estive à beira das lágrimas pensando no êxito atingido. Uma sensação de filme. Depois de tudo, tudo, eu estava ali. 
   Subimos e eu voltei ao banho quente, embora as contrações já estivessem me incomodando. Ao sair do banho, uma água quente me escorreu pelas pernas - ué? Mas não era peixe, não era; era Iemanjá, rainha! A bolsa! Até tinha me esquecido dela. 
    A verdade é que a hora mais dolorosa de tudo isso foi a analgesia, com 7cm de dilatação. Uma dose de peridural para sentir as contrações, mas sem cólicas - perder a sensação do que estava acontecendo poderia me confundir para o momento de fazer força. 3 da manhã. O pior momento foi me deitar na maca para receber a picada nas costas (depois de todos os banhos, deitar em posição fetal foi terrível). Entre as picadas e a dor passar, passaram por mim 3 intermináveis contrações doloridérrimas. 
   Até que aaah, passou tudo! Que sensação engraçada. Ainda sentia puxões na barriga, mas nada doía. Bateu uma onda forte de ocitocina. Sem a dor, sobrou só a animação. Eu, que sou quieta e na minha, me vi jogando conversa fora com a anestesista. Diana achava graça e me dizia para tentar descansar. Todos saíram da sala, inclusive o Guilherme. Ficamos só eu e a doula dando um estranho cochilo durante os meus 8cm de dilatação. Embora a anestesia tivesse más recomendações, foi o que "terminou" o meu trabalho de parto - pude relaxar e dormir enquanto meu corpo fazia força por mim. 
    Por volta de 5h20, acordei com uma forte dor. Parecia que eu ia explodir. Fiquei por alguns minutos meio perdida, sem saber o que fazer. Diana me examinou e disse que Stella estava muito perto e a dilatação já estava completa. Correu para chamar a Gabriela e o Guilherme. Aquela dor me assustava, mas logo entendi que era melhor acabar com ela do que continuar daquele jeito. A piada do pintinho explodindo vinha à minha cabeça sem parar. Quando vinha uma contração, a dor do expulsivo serviria justamente para empurrar a Stella, que já estava ali. Finalmente entendi para onde deveria empurrar e empurrei. Quantas vezes? Não sei. Três ou quatro. Ou seis. Sei lá. Foi tudo muito rápido. Com uma forte ardência, Stella nasceu às 5:37, com 49 cm e 3,150 kg. Parir é engraçado - um processo extremamente molhado que queima como brasa. Apesar disso, eu não tive laceração alguma - e nem episiotomia, cruzes. Pronta pra outra. 
    Deslizando como um peixinho, lá veio ela, Stella. Urrava tanto quanto eu. Meu corpo abraçou aquele corpo pequenininho e forte. Olhei suas mãozinhas, finas como papel, e senti o peso das 41 semanas passando por mim como um alívio. Guilherme disse que nessa hora toda a feição de dor passou e eu dei um sorriso profundo e inspirado. Poucos minutos depois ela estava mamando. Ficamos ali por algum tempo, nos olhando. Foi Guilherme quem cortou o cordão. E foi a Stella quem quis nascer, 25 horas depois, numa noite de meio de semana, com lua cheia e plena no céu. 
     A onda da ocitocina ainda durou algumas horas, nas quais não dormi - queria só falar, falar e falar. Diana disse que foi um "partaço" - o que seria um partinho, então? 

    A dor do parto? Lembro de horas seguidas de contrações que começavam com cólicas e iam até as costas. Lembro que elas cresciam. Lembro que me cansavam. Entretanto, a mágica de parir está nos intervalos entre essas dores. Uma contração dura algo em torno de um minuto de dor; depois desse minuto, é como se nada tivesse acontecido. Imagine uma grande dor, mas com pausas e descansos (eu queria que todas as dores fossem como essa!). Eu dormi várias vezes já em trabalho de parto. A dor vinha, eu contava até cem, ela passava. Dor? É claro que há dor. Mas o parto é como o mar: a dor vem, chega, aperta, e vai embora. A dor é uma onda. Cada onda não volta mais. Cada onda é uma a menos. Uma mais perto. O parto é dor boa. É a dor da vinda. É a dor da mudança, do acontecimento. E o melhor: a dor vai embora depois de tudo. Há dores que duram dias, meses, anos - essa, no meu caso, durou 25 horas. Depois, é só história para contar. Ali foi o início do maior amor do mundo.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

As últimas eternas semanas

   O corpo já está exausto de ser concha. As noites já são impossíveis. A sensação é de um misto de ansiedade, cansaço, impaciência. Depois de nove - ou 14329318 - meses, certas coisas já não dão mais tanto medo.
   A DUM previa que o nascimento da Stella seria ao redor do dia 12 de março. Entretanto, um dia tão longínquo estava... ficando para trás?! 

Novena para São Patrício em 16 de março.

    Ao optar por um parto normal, a ansiedade funciona como uma espécie de roleta russa, uma boa aposta. Eu nasci ao completar 38 semanas, mas o tempo possível para um nascimento a termo vai de 37 a 42. Durante essas cinco semanas, tudo pode ser previsto ou sair do imprevisto. Apressada que sou, decidi sair do trabalho às 38 semanas, ainda em fevereiro (se soubesse que o grande dia seria 20 de março, tinha trabalhado mais um cadinho...) e simplesmente me pus a esperar. Era carnaval e as probabilidades de esperar em casa (moramos em Santa Teresa) era pequena, pela dificuldade de uma saída durante algum dos bloco. É, pensamos de tudo para as primeiras semanas de março, quando ficamos acampados na casa da minha mãe. 
   Só que... fuen. Mesmo sabendo que ela poderia nascer até o fim do mês, cada dia contava. A minha ansiedade era especialmente ligada à licença maternidade da faculdade, que acabava no começo de maio. E nada de Stella. A barriga estava grande, redondinha. As contrações de Braxton-Hicks gritavam desde as 36 semanas. Mas nada de nada. Nada de dor, nada de bolsa romper, nada de grande momento. Um dia, no shopping, liguei para a madrinha da Stella: 

 - Oi, amiga, tudo bem?
 - Tudo, e você? Como tá a Stella? Tá vindo?
 - Ai, nada... e nós aqui esperando, mas nenhum sinal... dizem que a gente sabe quando é parto, né? Mas, aff, tô de saco cheio de esperar e nem saber pra quando vai ser... ah.. peraí, minha bolsa arrebentou aqui...
 ---- silêncio ---- 
- Calma, é bolsa bolsa, bolsa de carregar coisas.
- Ahhhh tá!

    Tava a esse nível, a coisa. 
    A verdade é que fomos murchando com os dias. O que era animação e promessa ("vai nascer no dia tal",
"vai nascer na virada da Lua, a Lua sempre traz bebê") foi virando francamente frustração. Nessa época, aprendi que a pior atitude é pressionar uma grávida - uma simples ligação para "saber se já nasceu" me desesperava. Sentia que eu estava decepcionando os outros e a mim mesma. Eu estava bastante frustrada e chateada com tudo, além de estar muito enjoada de carregar o barrigão (leia-se: não conseguir dormir, comer, respirar, etc). Só queria ficar sozinha, isolada. 
   A pressão também era externa. Finalmente arrumamos uma médica de plano que topava parto normal (yes!), só que ela garantia que só ia esperar até a 40ª semana. Parece que a indicação de espera de parto da OMS era 41 + 3. A data ia se aproximando. A cada consulta semanal íamos ficando mais chateados. Ninguém queria cesariana - nem eu, nem o Guilherme, nem as famílias. Apesar de exames constantes estarem perfeitos, havia a pressão de fazer uma cesariana "de urgência" caso a data X passasse. E nós esperamos. Embora eu já estivesse de saco cheio e frustrada, nós esperamos. Fiz de tudo - andei, corri, dancei. Dei uma volta na Lagoa com 40 semanas (visualizem). E nada.
  O pior de tudo era que eu estava insegura. Não havia dentro de mim uma voz que me dissesse para esperar. Quando eu falava com a Stella, perguntava porque ela estava demorando tanto. Eu estava triste. Sabia de histórias de bebês que simplesmente passavam do prazo previsto e entravam em risco por isso - e, meu Deus, essa é a última coisa que eu queria. Quando fechava os olhos, imaginava a quantidade de coisas ruins que poderiam acontecer. Naqueles últimos dias, tudo o que eu queria era parir. Parir parecia uma ótima ideia.
   O 41 + 3 dias tinha chegado. Dentro de horas, até o signo mudaria. Minha pisciana estava tão perdida que tinha se esquecido como sair e ia vir como ariana, veja só. Infelizmente, marcou-se a cesariana para o dia 19 de março, dia de São José. 
   Na noite do 18 para o 19, chorei. Chorei por ser jovem e saudável e ter que me expor a um procedimento duro como a cesariana sem aparente necessidade. Minha bebê era perfeita e estava bem, mas e se não estivesse? A culpa seria minha? O que deveria ser feito? 

 Stella, por que você não vem? Por que não nascemos juntas?

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

A indústria do parto

    O post de hoje pode ser um pouco controverso. Gostaria de, antecipadamente, pedir desculpas caso algum dos leitores se sinta ofendido por alguma coisa. 

     Nasci de parto normal. Minha mãe conta que no dia em que completou 38 semanas de gestação, 5 de janeiro, ela não teve uma noite muito confortável. Pela manhã, ligou para o obstetra. Foi ao hospital escolhido por ela e, ao chegar, tinha 2 cm de dilatação. Às 15:22, eu nasci. Segundo a minha mãe, ela não sentiu dor física alguma. O parto foi tranquilo e sem complicações.
    Quando eu engravidei "de assalto", 21 anos depois, fiquei me sentindo culpada porque não haveria tempo hábil para mudar o plano de saúde. Tenho um bom plano e sou paciente de diversos bons médicos, mas logo entendemos que não se faria um parto normal com este suporte. Se eu quisesse um parto normal, haveria duas opções: o SUS ou um parto particular.
    O que parecia uma busca inicial preguiçosa se revelou uma realidade cruel. Durante as 41 semanas em que estive grávida, passei por muitos médicos (mais de 10, além do pré-natal no SUS), e a grande maioria me dizia que não fazia parto normal. O que é chamado "normal" se torna um desafio para muitas mães que simplesmente querem parir. 
   Surge a grande (e aparentemente, muito vantajosa (?)) opção: o parto de cesariana. É mais rápido, é menos trabalhoso. Parir? Parto normal? Não, isso é até perigoso. Vamos de cesariana, vai levar menos de uma hora e você vai ter sua filha nos braços! 
     Aos poucos, eu, no alto dos meus 21 anos, fui entendendo essa louca relação cultural e industrial que se criou em torno do ato de parir. Fui entendendo que: 

  • Há a cesariana de emergência, louvável e importantíssima, que salva mãe e bebê;
  • Há a cesariana eletiva, aquela que infelizmente é tão praticada por uma tríade (logo explico!) de elementos que fazem com que a mulher não acredite que é capaz de parir. No sistema particular, 8 em cada 10 partos são cesarianas. Isso quer dizer que 8 em 10 bebês correm o risco de nascerem fora de seu tempo, em condições que não são ideais para a saúde. 8 em cada 10 mulheres estarão marcadas para sempre com uma cirurgia invasiva, de barriga aberta;
  • Há o parto normal, feito por médicos em hospitais, conhecido como parto frank. Sabe aquelas pessoas que dizem que o parto é a maior dor que uma pessoa pode sentir na vida? (mentira!) Um parto que é via vaginal, mas, é realizado com uma série de procedimentos muitas vezes desnecessários. É muitas vezes aquele no qual a violência obstétrica acontece. A todas que sofreram desta violência, meus profundos sentimentos. O parto é uma coisa maravilhosa e nunca deveria ser realizado com descaso e agressão. Paro e penso - se entre violência obstétrica e cesariana, eu não teria feito 10 cesarianas? Sim. Procedimentos como episiotomias são comuns para muitos obstetras. O tal do sorinho com ocitocina é o que faz o parto doer tanto (a ocitocina sintética força contrações. O processo que deveria acontecer naturalmente é acelerado - contrações com intervalos menores fazem a dor chegar ao insuportável). Além disso, o desrespeito, a impaciência e até xingamentos não são muito incomuns aos meus ouvidos;
  • E, aaah, finalmente! Há o parto "humanizado". É triste que ele precise deste nome. É triste que mulheres sejam afastadas daquilo que poderiam fazer de maneira perfeita. O parto humanizado é aquele com o mínimo de procedimentos desnecessários. Ele é feito com respeito, procurando entender o que seria melhor à parturiente. Ele pode ser feito no hospital ou até em casa, depende do que for eleito pela família. Eu tive um parto humanizado e 25 horas desde a primeira contração dolorosa e o final - e, francamente, tatuagens já doeram mais. Depois eu conto.
Amém.

     Talvez o fato de que tantos partos frank sejam realizados impulsione essa indústria das cesarianas. Se as mulheres tivessem a certeza de um parto normal bom e somente positivo, as coisas poderiam não estar como estão atualmente no Brasil. O cenário é mais ou menos assim:

  • Planos de saúde pagam pouco aos médicos, sejam eles de quaisquer especialidades. Seja para atendimentos em consultório ou procedimentos, a conta acaba sempre por não fechar como se esperava. Para se dedicar a um bom parto normal, uma equipe precisa de pelo menos algumas horas - o plano de saúde pagará estas horas? Valerá a pena realizar partos normais? 
  • Os médicos, sabendo da questão financeira, se profissionalizam na cesariana. A grande maioria dos obstetras particulares só querem fazê-la - é mais rápida, é atualmente mais comum, é mais previsível. Com uma cesariana marcada, um médico consegue ter o tempo que quiser, aparecendo só na hora necessária. Feriados e até finais de semana são poupados. Dias antes da Copa do Mundo, centenas de cesarianas foram realizadas em hospitais - aqueles bebês estavam mesmo prontos para nascer? 
  • E, por fim, os próprios hospitais vão na onda. Na relação de oferta e demanda, poucos têm salas de parto normal - salas com chuveiros, piscininhas, bolas de pilates (enfim, para se parir, espaço é uma boa pedida). No hospital em que eu pari, havia uma sala de parto normal. Em diversos nos quais eu estive, não havia sequer uma. Foi difícil encontrar uma soma boa de médico, hospital e plano de saúde.
      E assim vai o ciclo.
     As mulheres, influenciadas por comentários negativos sobre o parto normal e pressionadas pela indústria da cesariana, acabam se decidindo por uma cesariana. E se dizem muito, muito satisfeitas no final. Afinal, parto normal é uma coisa ultrapassada. Parto normal alarga a mulher. Parto normal? Coisa de maluca, ficar ali, gritando e suando por horas. Sentir dor? Eu morro de medo de dor (dizem as tatuadas). Acontece que, nessas meias verdades, os bebês se prejudicam. Inúmeras são as vantagens de nascer no tempo previsto, de maneira voluntária. No fim, parir é até fácil perto de toda a busca que fizemos atrás das melhores condições para fazer algo natural, que todas as criaturas fazem.
   O que eu tinha medo (e ainda tenho) é de, pasmem, cesariana. Eu não quis operar, entendam. Não quis que me abrissem e me arrancassem um bebê de dentro de mim. Não quis carregar uma cicatriz já aos 22 anos. Morria de medo de - ah! - um dia acordar e me dirigir ao hospital, porque aquele seria o dia do nascimento da minha filha. Isso, para mim, é absolutamente aterrador. Sou muito ansiosa. Acho que eu ficaria semanas sem dormir pensando sobre como poderia ser. Quando eu fui para o hospital, já estava com 6cm de dilatação e sem medo algum - como sentir medo se a onda da ocitocina já começou há muito tempo?
    Espero que, com os anos, os hospitais voltem a apresentar condições decentes para partos normais. Que os médicos reaprendam a fazer partos e que busquem isso em suas carreiras, pelo bem dos bebês (eles, enquanto conhecedores do assunto, deveriam ser os primeiros a defender as vantagens de um PN). Que os planos de saúde mudem todo esse sistema corrompido. Que as mulheres reencontrem a vontade e o poder de parir.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Top 5: os melhores e piores comentários da maternidade

    Se você parar para escutar, uma das coisas mais reveladoras da maternidade é a miscelânea de comentários vindos dos outros. Perguntas, conselhos e opiniões fazem o papel de faca de dois gumes: além de nos fazer pensar antecipadamente sobre seu conteúdo, mostram o que se passa na cabeça de seus locutores. As pessoas depositam muita ansiedade sobre a maternidade/paternidade alheia; tudo o que dizem (e a grande verdade é que as pessoas sempre vão ter algo a dizer) é baseado naquilo que viveram ou viram. Ao fazer comentários, elas nem sequer percebem que estão exibindo o que pensam e o que sentem. É importante lembrar que tudo o que dizem é problema dos outros, e não seu.
      A gravidez, período no qual estamos frágeis, sensíveis, sonhadoras e até inseguras a respeito de tantas coisas, é um longo período de bombardeamento de comentários. Alguns nos soam ridículos de cara; outros nos deixam a pensar por algum tempo; outros são verdadeiras lições de vida que podemos levar para sempre. Depois que a Stella nasceu, continuei recebendo conselhos, úteis ou inúteis. A grande diferença era que o meu filtro é atualmente bem maior, já que eu já passei "para o outro lado" e me sinto mais confiante para tomar decisões e atitudes. 
     Aqui está uma coletânea de piores e melhores comentários que ouvi - agradeço àqueles que me disseram as coisas boas e vejo que tiveram boas experiências. Que bom!
     Você nunca mais vai dormir. Gente, isso é a maior mentira deslavada! O que acontece é que se dorme diferente. Tirando os primeiros dias (nos quais realmente o sono é um terror, para mãe e bebê), todos vão dormir o que dormiam ou até mais. A diferença é que o sono fica picotado (as noites da Stella duram, no máximo, 5 horas diretas. Depois, ela acorda para mamar, mas volta para dormir de novo). Mas, sinceramente, para quem ficava cinco horas por dia na faculdade, estagiava, estudava em casa, saía e passava a noite fora, acho que me deitar à meia noite, dar umas acordadas e me levantar às 9h está bastante bom. Eu perdi mesmo foi na qualidade do sono. Raramente dormi como uma pedra. Geralmente durmo um sono leve, pronto para despertar (mas a preguicinha de levantar continua a mesma). 
  Você vai ficar dois anos sem sair de casa. Calma, gente. Nesses cinco meses de amamentação exclusiva, eu saio para trabalhar e estudar. Além disso, já fui à praia, ao cinema, ao Maracanã durante a Copa do Mundo, à Lapa, jantar com o Guilherme. Com organização, tudo se ajeita. É claro que não se sai tanto quanto (em frequência ou intensidade), mas não vamos exagerar... 
   Você não está pronta para ser mãe. Que cruel, hein? Já falei disso aqui.
   Você não vai mais ser a Laura. Vai só ser mãe da Stella. A maternidade não foi feita para apagar ninguém; não é calvário e nem martírio. A personalidade de uma pessoa não deveria desaparecer; ela pode mudar, mas preferencialmente vai se firmar ainda mais. Além disso, eu não me anulei. Ainda sou a Laura, estudo, trabalho e tenho meus sonhos e projetos. A Stella é prioridade, mas isso não quer dizer que eu precise deixar tudo o que deveria fazer.
   Mas você não sabe nada de crianças! Como vai criar uma? (kirida, eu conheço o Google) O que mais me ensina a ser mãe é a convivência com a própria Stella. Como eu digo para ela: eu não sei nada sobre bebês, mas sei tudo sobre você. A insegurança que eu posso ter tido se torna infundada diante dela. Além disso, o fato de ser um mamífero me ajuda a fazer coisas básicas tipo parir, amamentar e dar carinho. 



     Foi muito bom para mim ser mãe jovem. Difícil de engolir? Pois é. Mais de uma pessoa me disse essa mesma frase. Acho que ela se trata da vida como um todo. A verdade é que mulheres que se tornaram mães antes dos 25 chegam aos 40 realizadas em muitas coisas - filhos "criados", boa situação de trabalho, carreira sem interrupções, ganhando um bom dinheiro. A fase de construção já passou, agora resta aproveitar. São mulheres que vivem a vida, viajam e se divertem com a jovialidade e maturidade aos 40. Para mim, que tenho 22, a boa coisa de ser mãe jovem é que eu tenho bastante energia para a Stella e todas as tarefas - e vou ficar bastante tempo com a minha filha durante a sua vida. 
   Passa tão rápido, né? Queria estapear quem me dissesse isso nos primeiros dias. Cara, os primeiros dias são insanos. Cada minuto conta - de sono, de choro, de fome, de cansaço (de nossa parte, também). Aqueles dias que passavam como instantes acabaram e agora, todos os instantes exigem atenção, dedicação e cuidado. Mas! Caramba, já se passaram cinco meses. Minha noção de tempo se alterou. Os dias são longos, mas cada mudança da Stella é o que passa rápido. Ela tem microfases (movimentos, tons de voz, gritinhos, caretas) que duram nada além de semanas. Tudo tem que ser registrado, senão passa e a gente se esquece, mesmo. Já temos saudades da Stella recém nascida, Stella pequeninininha. 
   O mundo está povoado. Adoro essa frase. Ela quer dizer que, pura e simplesmente, não precisamos ser perfeccionistas ou experientes enquanto mães e pais. Crianças crescem mesmo se você não esterilizar todos os brinquedos ou não souber como trocar fraldas. 
   Pense na Lagoa Azul. Essa é boa para mães de primeira viagem. Sabe aquele filme de Sessão da Tarde, "A Lagoa Azul"? Em certo ponto da história, aquele casalzinho que vive no meio do mato tem um filho. E é isso. A gravidez, o parto, a amamentação, tudo!, se passa como que naturalmente. A frase quer dizer que não devemos nos basear ou até nos impressionar com famílias alheias. Lembro que eu via outras mães e pensava que jamais seria capaz de fazer um terço do que faziam - e veja só. Depois de ouvir isso, se tornou meio que um mantra pessoal ao qual eu recorro quando necessário.
    Tudo vai passar. Essa eu até digo quem me disse: foi o duende de jardim da capa do disco do George Harrison. Essa é a maior verdade absoluta da vida. Tudo passa, até a vida em si. Portanto, nada de se descabelar (por mais de vinte minutos) acerca de qualquer problema ou situação. Mãe de um bebê pequeno, posso ver que a condição de mãe é para sempre, mas a própria maternidade vai mudar muitas e muitas vezes. A Stella cresce a cada dia e as condições se alteram; eu aprendo com ela e ela comigo. A maternidade não deve ser uma condição massacrante ou escravizante para ninguém. 


O que ninguém me disse (decidiram me dizer muita, muita coisa negativa): você vai sentir o maior amor que poderia sentir.